Costumava tomar capuccino. De um certo tempo pra cá, tem tomado chocolate quente. Independente da bebida, era indispensável a canela. Muita canela. Mas não tomava só. Ou pelo menos não pretendia fazê-lo sozinho. A idéia era partilhar. Mas não tem tido êxito. Sempre está a espera... e a espera de ninguém! Inegáveis as tardes de chocolate quente. Dias em que os sentimentos estiveram a flor da pele. Sentiu ódio, amor, paixão... chorou, teve raiva, compaixão... beijou, abraçou, solidão... perdoou, esperou, viu chegar... quis perto, quis longe, não soube o que quis... teve a mente clara, esteve confuso, não esteve... e até queimou a língua. Lembrou que o homem não nasceu pra viver só. Lembrou que há tempos estava só. Lembrou que esnobou estar com alguém para tomar chocolate quente. Mas não lembrou com pesar. Lembrou apenas que aconteceu. Não sabia ao certo o que fazia ali. Sabia que havia um motivo para estar lá. Mas não sabia o por quê! Não olhou o cardápio como de costume. Sabia o que iria pedir. Mas se surpreendeu quando as palavras sairam de sua boca: "Um café turco, por favor!" Estranho... não era chocolate quente... não era capuccino... nem ao menos gostava de café. Ficou tão confuso com a estranheza do pedido, que não teve tempo de reclamar. Se viu diante do café... com a colher numa mão e a canela na outra. Titubeou... pensou em colocar... se perguntou: "O que mesmo eu vim fazer aqui?"
Mal sabia ele que a resposta estava no fundo da xícara. Olhou fixamente a borra do café. Chacoalhou a xícara. Bebeu o último gole. E com o olhar se confundindo com a xícara, viu seu destino entrar pela porta da cafeteria, antes mesmo do café aquecer sua boca.
É isso!!!
Escrito por Tony Wendell às 07:45:35
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