Non ducor, duco


Na aula de português...

A aula era de português.
Estudava-se gramática.
Estava revisando a classificação dos substantivos.
A cabeça estava noutro lugar. Especificamente nos adjetivos.
Os adjetivos de Daniel. Belo, tímido, inteligente.
Diferente de Cláudio: simpático, extrovertido, companheiro.

Gostava dos adjetivos. Eram mais fáceis de se entender: palavras que qualificam (ou desqualificam, é claro!!) o substantivo. Como a própria definição diz, eles modificam o substantivo.
Não era diferente com Cláudio e Daniel. Sempre qualificando esses substantivos próprios.

Esse era um grande problema. Como escolher entre os dois?
Moreno ou loiro? Olhos verdes ou castanhos? Atleta ou intelectual?
Oh dúvida cruel!!

Voltou os olhos para a lousa.
A professora caminhando entre as carteiras, falava:
"Substantivos uniformes - são os que apresentam apenas uma forma para ambos os gêneros.
Podem ser: sobrecomum, comum-de-dois e epiceno"
Logo pensou: "Tá vendo como é mais difícil?"

Lembrou que o "Amor" é sobrecomum, mas para ela parecia ser comum-de-dois.


É isso!!!!



 Escrito por Tony Wendell às 23:19:48 [   ] [ envie esta mensagem ]




"Não sei seu nome nem como lhe chamar... Linda garota"

A noite não prometia quase nada.
O quase não significava esperança. Não tinha a esperança que algo mirabulante pudesse acontecer. Milagre só acontece em filmes. Ou para aqueles que fazem por merecer na vida real. E o que realmente fizera para alcançar a graça de um milagre?
Tudo bem que o milagre em questão nem era tão difícil. Qualquer santo mais novinho e pouco hábil poderia dar conta do recado. Sem precisar ser chantageado com três pulinhos ou até torturado de ponta cabeça.
Enfim, sem perder o foco, "quase nada" continuava definindo bem a noite.
O lugar era agradável, apesar de estar com vontade de ficar em casa sob as cobertas.
Tinha os amigos, aliás, eles exigiram minha presença. Praticamente me tiraram da cama.
Tinha mulheres, mas lá não seria o local ideal para conhecer alguém. Som alto, agito, empurra-empurra. Não saberia nem começar um diálogo. Ficar gritando na orelha do outro? Definitivamente não era meu estilo!
Tinha a música, pois é... esse era o real motivo que me tirou da cama. Afinal, a música move o mundo. E conseguiu mover-me de casa.
Anos 80, tudo o que eu precisava para uma noite solitária entre amigos, mulheres e bebidas.
Plano traçado: chego em cima da hora; cumprimento os amigos; pego meu guaraná; e vou para perto do palco. Torço para a banda está inspirada; vejo o show; e saio de fininho dando adeus a quem estiver pela frente!
Tudo parecia andar nos conformes, mas... (porque sempre existe um mas) a vida prega uma de suas peças.
Eis que no meio da multidão ela aparece não sei de onde, não sei como, para mudar a história daquela noite.
Parei na simples beleza do seu sorriso!!!
Não havia mais músicas, não havia mais amigos, não havia mais mulheres, apenas seu belo sorriso.
Há tempos não sentia meu coração bater como se não coubesse no peito.
Era tudo o que eu não precisava naquele momento.
Como fazer para ter a atenção desta mulher?
Chegar junto? Nem pensar! Já falei que aquele não era o lugar certo, nem a hora certa. Ser mais um a gritar na orelha de alguém? Não, não, isso não iria dar certo.
Resolvi me fazer notar, enquanto pensava no que fazer.
Fiquei sempre dentro do seu campo visual. Na verdade não estava ligando pra isso, queria mais era ficar admirando sua beleza.
Trocamos olhares. Uma, duas, três... algumas dezenas de vezes. Ela já sabia quem eu era, Afinal de contas, não estava bem vestido, de barba por fazer e com cara de quem deveria estar na cama. Impossível não ser notado!!
É lógico que ela vai negar, caso a vida nos proporcione um encontro casual qualquer dia desses (a espera de outro milagre!!). Estratégia feminina. Mais fácil de dispensar o cara, além de fazer parte de um charme todo peculiar.
Ela era bela. A mais bela entre todas as presentes naquele lugar. Mas sua beleza era peculiar, pois era simples. Não vestia roupas chamativas nas cores ou no tamanho. Não usava maquiagem. Apenas algo discreto, só para ressaltar o belo. Não estava com saltos altos ou sandálias mirabulosas. Usa um sapato com um pequeno salto que a tirava do chão. Como se já não tivesse andando nas nuvens. Dançava como se fosse uma tarde de primavera, e os campos floridos exalassem seus perfumes só pelo prazer de tê-la por perto. E finalmente seu sorriso. O sorriso que iluminava a noite e fisgara impiedosamente a minha atenção,os meus olhos, o meu coração.
Por onde andava você que me privou tanto tempo de ter esse sorriso?
A noite foi passando. A aflição foi tomando conta de mim. Não tinha conseguido arranjar nada mirabolante para me fazer presente em seus pensamentos.
A banda parou de tocar. Não a vi mais. Em pouco tempo ela sumiu.
Sentei. Me lamentei. Não havia mais o que fazer. Se ao menos eu sobesse seu nome...
Fui até o caixa. Só me restava a cama.
Já não pensava em mais nada. Não escutava nada ao meu redor. Apenas me esforçava para esquecer a moça do belo sorriso.
Chegou minha vez. Apoie-me no balcão. Em seguida, uma mão delicada se aproxima, coloca o cheque sobre o apoio e começa a escrever. Vocês podem não acreditar, mas era ela!!!
Fiquei completamente sem reação!
Seu cheiro me inebriava. Seu olhar me fez perder os sentidos. Seu sorriso... ah seu sorriso...
"Oi" foi tudo o que consegui dizer.
Mas consegui algo melhor. Enquanto assinava o cheque, consegui ver seu nome.
Agora o sorriso tinha nome. E a noite era mais feliz!!
O tumulto era grande. Não consegui me despedir.
Fui pra casa dormir contente.
A procura será mais fácil.
Antes tinha apenas um belo sorriso no meio de 12 milhões de habitantes.
Agora ele tem nome, será muito mais fácil achá-lo.
Só tenho que torcer para que ele more em São Paulo.

É isso!!!



 Escrito por Tony Wendell às 06:05:52 [   ] [ envie esta mensagem ]




Sempre sorrir!!

Rio do mar que vejo ao fundo
Rio do Sol que nele nasce
Rio do meu suspiro profundo
Rio da beleza deste impasse

Rio da Pedra que toca o céu
Rio do beijo que a nuvem dá
Rio dos teus olhos cor de mel
Rio da alegria de amar

Rio das tuas palavras cruzadas
Rio das tuas gargalhadas
Rio do seu jeito faceiro

Rio dos amigos que ganhei
Rio daqueles que cativei
Rio de Janeiro

*pela partilha de ver os fogos no céu!!
Valeu!! Obrigado a todos!! Meus amigos!!



 Escrito por Tony Wendell às 06:49:33 [   ] [ envie esta mensagem ]


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