Non ducor, duco


Os minutos que antecedem o fim... ou o fim

Já não se procurava mais o certo ou o errado.
Ele sabia quem tinha razão, mas o que isso importava?
Já não iriam mais se ver.
Não com os mesmos olhos.
A decisão já fora tomada: separação!

Ainda tem-se um último olhar.
O abraço é de adeus. Não dá mais pra ficar.
O corpo não quer a partilha. Já sabe o caminho de casa, não quer se mudar.
Mas não dá pra ficar.
Um beijo suave... se dá no canto da boca. Resquícios do alento que findou.
Os corpos se soltam aos poucos, lentos, tentando não se acostumar com a separação.
A mão escorre por todo o braço até a mão.
Os dedos vagarosamente desfazem os laços, agora desapertados.
O clima é de partida.
Ela acenou. Ele consentiu com a cabeça.
Se foram.

Ela entrou no carro. Ele também.
Conseguia vê-la por entre as árvores do parque.
Ela chorava; contida, mas chorava.
Ele repousou a cabeça sobre o volante. Pensou na vida.
Levantou os olhos. Viu o futuro partir numa outra direção.
Deu a partida e... partiu.

Ligaram o rádio. Na mesma estação.
"Como tirar você de mim?", se perguntaram.
Então... é assim que é a vida!
Ouviram:

Tive Razão
  (Seu Jorge)

Tive razão
Posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar dói
Em pensar que ela não vem, só dói
Mais pra mim tá tranquilo, eu vou zuar
O clima é de partida, vou dar sequência a minha vida
E de bobeira é que eu não estou,
E você sabe como é, eu vou
Mais poderei voltar quando você quiser.
ô ô ô ô ô ô ô ô, lá lá lá...
Demorô vai ser melhor...

É isso!!!!



 Escrito por Tony Wendell às 06:35:39 [   ] [ envie esta mensagem ]




"Chove chuva, chove sem parar..."

Ela já o conhecia e não era de hoje.
Notou em seu rosto rugas, dessas do tipo sazonal, bem influenciadas pelo clima.
Se aproximou. O fato é que as aproximações não eram novidade; as investidas sim!
Acordou com vontade de jogar, de arriscar.
Passou na sua frente. Olhou-o nos olhos, profundamente. Fez um leve sinal com a cabeça, e deixou no ar a certeza de que voltaria para falar algo.
Sentou-se na mesa ao lado. De costas. O coração saíra do peito. Estava na garganta, pulsando entre uma respiração e outra, que já era ofegante.
Apesar do barulho cardíaco, pôs-se a escutar a conversa.
Ele, com seu guarda-chuva na mão, lamentava seu esforço em vão.
As lamúrias eram basicamente um cavalheiro quixotesco com gentileza para uma princesa de moinhos de vento!
Não se conformava com a cisão do pensamento feminino.
O homem ideal, definitivamente não era o que elas querem como homem real.
E assim lembrou de fatos faziam dele um cara especial. Pelo menos assim ele achava.
A questão é que ele abriu a porta, e ela não quis passar... paciência!
O café estava bom, mas era hora de trabalhar.
Rapidamente ela se levantou, foi até a porta e esperou ele chegar.
Ele parou a seu lado.
O céu estava nublado.
No movimento de trocar de mão o guarda-chuva, eles cruzaram os olhares.
Os corações dispararam.
Ele fez menção,apenas com o olhar, à pergunta que ela deixara de fazer quando se viram.
Diretiva, acertiva e taquicárdica, disparou:
"Nada não! É que estou esperando uma vaga no seu guarda-chuva".
"Mas não está chovendo?"
"Posso fazer e acontecer... chover!!"
Abriram um sorriso largo.
"O que foi?"
"Nada!"
Ele saiu imaginando:

É Isso Aí

  (Sidney Muller)


Preparei uma roda de samba só prá ele

Mas se ele não sambar

Isso é problema dele
entreguei um palpite seguro só prá ele
Mas se ele não jogar
Isso é problema dele
Esse problema é só dele

Tô cansada de andar por aí
Curtindo o que não é
Preocupada em pintar na jogada que dá pé
Só que tem que eu tô numa tão certa
Que ninguém me diz
Quem eu sou, o que devo fazer
E o que eu não fiz

Separei um pedaço de bolo só prá ele
Mas se ele não provar
Isso é problema dele
Inventei na semana um domingo só prá ele
Se ele for trabalhar
Isso é problema dele
Esse problema é dele

Comprei roupa, sandália e sapato só prá ele
Mas se ele não usar isso é problema dele
Aluguei uma roda-gigante só prá ele
Mas se ele não rodar
Isso é problema dele

*Vi, valeu pelo groove!!

É isso!!!!



 Escrito por Tony Wendell às 07:02:22 [   ] [ envie esta mensagem ]




"Em tua mão o rumo das coisas..."

Já era tarde. Lia não sabia o que fazer. Passara o dia refletindo sobre os últimos acontecimentos. Como podia uma dor doer mais do que a dor de perder alguém?

A noite parecia não acabar. Seus pensamentos se perdiam nas trevas.

Tudo uma questão de tempo. Ou melhor, de timing.

Pedro era uma pessoa maravilhosa. De fácil conversa, interessante, carinhoso. De longe parecia mais louquinho. Na verdade só charme. Era dócil, engraçado, careta! Ah, e por incrível que pareça: bonito! Lógico que não era nenhum deus grego, mas um jovem bonito de futuro promissor logo ali a admirá-la.

Tudo bem, o que fazer agora?

Seria simples se a questão fosse sim ou não, mas o que fazer com Lucas?

Lucas havia chegado primeiro em seu coração. Tomou o espaço e fez moradia, mas não estava querendo morar. Lucas sabia como falar, o que fazer, onde tocar para deixar Lia inebriada. Sabe quando um olhar já basta? Essa era a sensação de plenitude que tinha ao lado dele.

E foi assim por muito tempo. Apesar de Lia sentir que Pedro chacoalhara a casa, sentia-se traindo Lucas por ter tal sentimento.

As estações mudavam. Ao mesmo tempo em que Pedro se tornava passado, Lucas se fazia presente na sua vida. Festas, cinemas, happy hours... parecia que o mundo conspirava a seu favor.

Todos seus defeitinhos saltavam aos olhos como charme. Agora não parecia haver traição; seu coração já pulsava acelerado ao vê-lo.

Não teve coragem de se mostrar. Estava esperando um momento mais propício para se insinuar. Para mostrar que ainda estava afim.

Pedro ainda a incomodava, e esse era o real motivo da espera. Incomodava pouco, bem lá no fundinho do coração, mas ainda estava lá.

Havia decidido que aquilo não impediria de começar uma nova vida. Ao contrário, já era chegada à hora de mudar.

Estava mais tranqüila. Resolveu que o momento era de investimento.

Certo dia, todos estavam reunidos, conversando. Pedro estava por ali. Começaram a conversar. Nunca a conversa tinha sido tão fácil. Pedro tinha um certo receio de chegar mais perto, fruto de uma indelicadeza no passado, Lia não teve a sutileza necessária para lhe falar algumas coisas. Mas ele queria estar perto.

O rio parecia correr para o mar. Mais eis que surge Sarah.

Sarah, melhor amiga de Lia, nem sempre estava presente nessas reuniões, mas era conhecida de todos.

Sarah não surgiu, ela estava lá. Mas surgiu aos olhos de Lia um discreto interesse entre Pedro e ela.

Lia sorriu. Ficou contente por sua amiga.

Eles não estavam sentados perto, havia duas ou três cadeiras que os separavam.

Não havia um clima oficial, mas parecia que os olhares se interessaram.

Óbvio que se fossem indagados naquele momento sobre qualquer sentimento, negariam.

Lia estava vendo o antes. O nascer da onda. O despontar do primeiro raio de sol.

Estava com um sorriso de canto-a-canto.

Sua amiga há tempos não se interessava por ninguém. Que bom!

Todos estavam de saída. Ela não quis acompanhá-los. Foi para casa.

No caminho descobriu que seu sorriso era nervoso. Agora Pedro era de Sarah. Não iria entrar nessa disputa com sua melhor amiga.

Ligou o rádio. Sentiu uma leve pontada no peito.

Voltou a se perguntar, como podia um dor doer mais do que a dor de perder alguém?

Só a dor de perder alguém por tanto esperar um ninguém!

Hoje não tinha mais Pedro. Só a dor de sua ausência.

Já não tinha mais Lucas. Queria por um fim nessa história.

Tomou coragem. Foi até a música doze.

Fechou os olhos. Respirou fundo. Apertou o play e acelerou...

Tomou o rumo de casa cantando:

Vou deixar que você se vá
(Thedy Corrêa/ Edgard Scandurra)

Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar
Tudo já se foi
Amizade carinho e amor
Não há mais porque lutar
Minhas mãos estão cansadas
Não vou mais te segurar
Vou deixar que você se vá

Não vou mais te segurar
Vou deixar que você se vá

Procure seu caminho
Eu aprendi a andar sozinho
Isso foi há muito tempo atrás
Mas ainda sei como se faz
Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar
Não vou mais te segurar
Vou deixar que você se vá

É isso!!!



 Escrito por Tony Wendell às 07:08:00 [   ] [ envie esta mensagem ]




Abre o olho, jardineiro!!

Os olhos vêem o que querem.
É o que dizem por aí.
Acredito que a afirmativa deveria ser feito na negativa (?!):
Os olhos não vêem o que não querem!
O problema não é a semântica e sim o objetivo.
Apesar do foco principal ser o mesmo, o primeiro só enxerga o alvo. Já o segundo, nega o que não quer ver!
Portanto muito pior. Tudo é visto, menos o que não se quer.
Rejeição! Negação! Sublimação!

Então, o negócio é ter cuidado, pois o jardim é composto de flores exuberantes, mas também de flores mais discretas, de folhas, terra, pedras, joaninhas, lagartas...
Não dá para cuidar de um jardim, na expectativa apenas de uma flor que nem se sabe se vai desabroxar!

Tome conta do seu jardim, senão nem erva daninha nele vai dá!!

(Sem Título)

              Tony Wendell 

 

Um belo dia apareceu em meu jardim

Uma flor

Mas uma flor que logo dispertou minha atenção

Não por suas cores exuberantes, chamativas

muito pelo contrário,

sua maior virtude: a bela discrição

E por ser discreta, era formosa

Formosa a tal ponto que me encantei

E quis tê-la para mim

só para mim

Mas não sei bem qual o motivo, ou qual a razão

Nunca consegui me aproximar,

para tocá-la...

sentir melhor o seu perfume...

Enfim, nunca consegui

Talvez tenha sido por medo

Medo dela recolher suas pétalas

Para eu não ver suas cores

Medo da rejeição

Medo de receber um não...

De tal sorte que apenas me faço distante

E ao longe, fico a espreitar

o seu belo florecer

sua essência que paira no ar

Morrendo de inveja do beija-flor

que voa rapidamente em sua direção

e num momento sublime da criação

pode delicadamente...

                                      ... um beijo seu roubar

 

 

É isso!!!



 Escrito por Tony Wendell às 07:04:29 [   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA MARIANA, Homem, de 26 a 35 anos
Histórico
  19/02/2006 a 25/02/2006
  05/02/2006 a 11/02/2006
  29/01/2006 a 04/02/2006
  15/01/2006 a 21/01/2006
  08/01/2006 a 14/01/2006
  31/07/2005 a 06/08/2005
  24/07/2005 a 30/07/2005
  17/07/2005 a 23/07/2005
  10/07/2005 a 16/07/2005
  26/06/2005 a 02/07/2005
  19/06/2005 a 25/06/2005
  22/05/2005 a 28/05/2005
  01/05/2005 a 07/05/2005
  17/04/2005 a 23/04/2005
  10/04/2005 a 16/04/2005
  03/04/2005 a 09/04/2005
  27/03/2005 a 02/04/2005
  20/03/2005 a 26/03/2005
  13/03/2005 a 19/03/2005
  06/03/2005 a 12/03/2005
  27/02/2005 a 05/03/2005
  20/02/2005 a 26/02/2005
  13/02/2005 a 19/02/2005
  06/02/2005 a 12/02/2005
  30/01/2005 a 05/02/2005
  23/01/2005 a 29/01/2005
  16/01/2005 a 22/01/2005
  09/01/2005 a 15/01/2005
  02/01/2005 a 08/01/2005
  19/12/2004 a 25/12/2004
  12/12/2004 a 18/12/2004
  05/12/2004 a 11/12/2004
  28/11/2004 a 04/12/2004
  21/11/2004 a 27/11/2004
  14/11/2004 a 20/11/2004
  07/11/2004 a 13/11/2004
  31/10/2004 a 06/11/2004
  24/10/2004 a 30/10/2004
  17/10/2004 a 23/10/2004
  10/10/2004 a 16/10/2004
  03/10/2004 a 09/10/2004
  26/09/2004 a 02/10/2004
  19/09/2004 a 25/09/2004
  12/09/2004 a 18/09/2004
  05/09/2004 a 11/09/2004


Outros sites
  John (Caminhão de Lixo)
  Leo
  Marineli (Marinu's Blog)
  Sharon Eve (Chovia)
  Vanessa (Aff, eu tenho um blog)
  Plano B (Plano Blog)
  Thati (Essas coisas que diz toda mulher)
  Lucas (Em construção)
  Tiago (Tráfego de Música Boa)
  Raquel (Reverso)
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?