"É esse o último vagão?"
Da janela, as imagens passam e fico a olhar. Passam muito rápido para que eu possa analisar. Na verdade, até se aproximam devagar, mas logo se vão quando estou preste a tocá-las. O sonido de la canción me acompanha sin callar “Adonde vas ahora/ Alguien llama por tu nombre/ En la estación”. Peço (com os olhos) pra você não saltar. "Já passou da hora/ E eu não posso mais ficar".
Com o assento vazio, a máquina começa a andar. Procuro na estação, se vejo um rosto familiar. Procura vã. A solidão sentou neste lugar. Quero um trago pra poder suportar.
Agora passam imagens desfocadas. São meus olhos que chovem na janela A história de uma vida mal contada.
“Então fica tudo bem assim:/ Chegamos ao fim/ Mas não a uma conclusão”. Conforto assim, insolentemente, meu coração.
As perguntas parecem não me deixar: Por que sempre vi certeza em seu olhar? Por que sempre pareceu eterno cada momento? Por que tua mão sabia sempre onde me encontrar? Por que meu beijo pareceu sempre ser o teu alento?
”Yo sé porque lloras/ Nunca es fácil tomar la decisión/ Alguien te hace falta en la mañana/ Y a alguen le rompiste el corazón”
Se assim permeio teus pensamentos, como não paras de minha mente assombrar, entendo porque “Ya non tienes tan claro porque vas”.
O trem parou. É preciso tomar uma direção. Desço e volto correndo para última estação. É difícil entender um “Fica tudo assim, então/ Um fim sem conclusão”.
O trem que passa agora, é o trem da minha história. Enquanto volto, busco ainda na memória Nosso beijo na primeira estação.
Volto, pois não é chegada à hora da alegria se perder Volto, pois não posso ir embora sem tua boca me dizer Volto, pois se ela me adora não podemos mais sofrer
Corro com o vento batendo no rosto Sem ter o peito oprimido Sem o amargo do desgosto Sem o orgulho do vencido
Corro pra poder te encontrar E dar cabo a essa viagem mal resolvida Corro e não vou descansar Precisamos de um rumo em nossa vida.
Já vejo a gare e sei que a hora é de decisão. É mais um trem chegando à estação. "Talvez seja a minha hora de ficar” Ou "Quizás no sea el fin da la história/ Quizás nunca dejaste La Estación”
*É bom saber que esses poetas nunca me deixam na mão Herbert Vianna (“La Estación”), Leo Sauaia (“Ginkgo Biloba”) Obrigado por me darem respostas!!!
É isso!!!
Escrito por Tony Wendell às 11:24:57
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